sem definição

"Sou umas poucas palavras que não fraseiam com perfeição. Não há sequer um verso, nem um reles esboço de prosa, não há linhas, tinta, papel. O que há então? Perguntariam-me a tempo. Não sei, talvez um vazio, uma imensidão. E das poucas palavras, o que faz? Uso como escudo, como arma, talvez abra uma ferida, ou fale de amor e faça uma bela declaração. Mas as palavras mais preciosas são tão poucas que eu tenho medo de gastá-las, de ficar sem elas, e estar fadada a nunca mais escrever amor, carinho, paixão. Isso iria doer, eu sei. E não me diga que um pouco de dor fortalece o coração. Ser forte assim eu não quero, porque nem toda a força do mundo haveria de curar minha decepção. 

Então me deixe ser assim, imperfeita, um alguém sem qualquer definição. Se ninguém me definiu, não há o que me prenda então. Não quero ser eternamente o mesmo texto, nem um conjunto de rimas, bonitas ou não. Eu poderia agradar uns poucos leitores ou muitos talvez (me desculpe a pretensão), mas eu não quero para mim a responsabilidade de agradar ninguém, porque eu nasci desagrado, não só satisfação. 

Se você quer tanto me escrever de algum jeito, diga ai neste seu texto que eu sou um emaranhado de letras, rebeladas, despretensiosas, escreva ai, em negrito e sublinhado, que em meio a regra, eu preferi ser a excepção."

fonte: 
http://enlouquecendoumdiadecadavez.blogspot.com/2010/12/eventos-cotidianos-iii.html#comment-form

2 comentários:

  1. G. disse...:

    Excepcional...!
    Ser sem definição... é a mais pura forma de ser!
    Nunca pare de escrever.

    Boa caminhada para si tb =)

    Obrigada. :)

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